quinta-feira, 26 de março de 2009

Epitáfio de um Rio

Epitáfio de Um Rio

( Ao Rio Anil, de São Luís-MA)

O céu é o mesmo

As nuvens que passaram por mim também são

O mangue, meu aliado, está sumindo

Muitas coisas mudaram

Mas o que fizeram comigo?


Eu que fui Anil

Que abriguei peixes

Recebi barcos até o mais alto de mim

Eu, que fui o mais importante da Cidade

Agora sou coletor de sujeiras


Por que colchões pneus, lixo e fetos?

Por que não anzóis, redes e puçás?


Eu, que até casas abrigo sobre minhas águas

Que tubarões do alto mar vi passar pelo meu leito

Que dei o de beber e o de comer


Ó gerações, por que fizeram isso comigo?


Se minhas águas transformam-se em mar, e nuvens, e chuvas,

Não voltarei eu para vos poluir?


Cuidai de mim se ainda podes...

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