
Epitáfio de Um Rio
( Ao Rio Anil, de São Luís-MA)
O céu é o mesmo
As nuvens que passaram por mim também são
O mangue, meu aliado, está sumindo
Muitas coisas mudaram
Mas o que fizeram comigo?
Eu que fui Anil
Que abriguei peixes
Recebi barcos até o mais alto de mim
Eu, que fui o mais importante da Cidade
Agora sou coletor de sujeiras
Por que colchões pneus, lixo e fetos?
Por que não anzóis, redes e puçás?
Eu, que até casas abrigo sobre minhas águas
Que tubarões do alto mar vi passar pelo meu leito
Que dei o de beber e o de comer
Ó gerações, por que fizeram isso comigo?
Se minhas águas transformam-se em mar, e nuvens, e chuvas,
Não voltarei eu para vos poluir?
Cuidai de mim se ainda podes...
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