terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que vi e ouvi

O que vi e ouvi

(do que vi e ouvi na Fazenda da Esperança,

em Coroatá-MA, novembro de 2010)



Vi pessoas, em trapos, chegando, assustadas, se adaptando. Vidas deixaram pra trás, bens não tinham mais. Vi outras, que as recebiam, e estas outras, já modificadas e restauradas, ou talvez renovadas, serviam de suporte e espelho às que chegavam.

Eram vidas contadas, lembranças e mágoas, arrependimentos e traumas. Era aquilo que foi vendido, era o amigo que ficou perdido, era o sonho que não foi sonhado. Umas... infância perderam, outras... adolescência venderam, e outras... entre vida ou casamento escolheram.

Agora é aprender a trabalhar o chão, é aprender a fazer pão, é aprender a partilha e a oração.

Cartas tiveram que escrever, dinheiro tiveram que trazer, sementes precisaram morrer.

E agora, no fogo da restauração lenta terão que provar suas virtudes. Aprender novamente a viver a vida que não tiveram.

Na fazenda vi pessoas tristes, talvez por lembrar o tempo que perderam, talvez por saudade das pessoas lá fora.

Por outro lado ouvi depoimentos de pessoas que foram resgatadas “do fundo do poço”, “da lama”, “do buraco”.

O sorriso aberto, o respeito à mesa, a responsabilidade pelos outros, o ouvir conselhos, o aconselhar, o plantar, o esperar, e esperar e esperar... pra depois colher.

A Fazenda é porque se planta e se colhe. A Esperança é porque se espera e se alcança, se esperar.

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