O que vi e ouvi
(do que vi e ouvi na Fazenda da Esperança,
em Coroatá-MA, novembro de 2010)
Vi pessoas, em trapos, chegando, assustadas, se adaptando. Vidas deixaram pra trás, bens não tinham mais. Vi outras, que as recebiam, e estas outras, já modificadas e restauradas, ou talvez renovadas, serviam de suporte e espelho às que chegavam.
Eram vidas contadas, lembranças e mágoas, arrependimentos e traumas. Era aquilo que foi vendido, era o amigo que ficou perdido, era o sonho que não foi sonhado. Umas... infância perderam, outras... adolescência venderam, e outras... entre vida ou casamento escolheram.
Agora é aprender a trabalhar o chão, é aprender a fazer pão, é aprender a partilha e a oração.
Cartas tiveram que escrever, dinheiro tiveram que trazer, sementes precisaram morrer.
E agora, no fogo da restauração lenta terão que provar suas virtudes. Aprender novamente a viver a vida que não tiveram.
Na fazenda vi pessoas tristes, talvez por lembrar o tempo que perderam, talvez por saudade das pessoas lá fora.
Por outro lado ouvi depoimentos de pessoas que foram resgatadas “do fundo do poço”, “da lama”, “do buraco”.
O sorriso aberto, o respeito à mesa, a responsabilidade pelos outros, o ouvir conselhos, o aconselhar, o plantar, o esperar, e esperar e esperar... pra depois colher.
A Fazenda é porque se planta e se colhe. A Esperança é porque se espera e se alcança, se esperar.
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