Cai
a noite
Cai a noite no
mangue ao lado do hospital...
Caranguejos acuados
pelo homem recolhem-se para suas tocas,
num movimento longo
entre o buraco e a maré.
Amanhã cedo vem o
guará querendo comida.
Vive-se menos nos
mangues urbanos
Esconder-se é sina
dos vivos!
Cai a noite no
hospital...
Um pouco mais tarde
que no mangue, é verdade!
As luzes retardam o
anoitecer.
Também os pacientes
recolhem-se para seus cantinhos de cama,
num movimento curto
entre o lado direito e o lado esquerdo
Morre-se menos nos
hospitais particulares.
Fugir da morte é
sina dos vivos!
Cai a noite em nossa
vidas...
Recolhemo-nos para
os cantinhos de nossas mentes
Reflete-se mais em
tempos difíceis!
O pensamento e as
preocupações dão lugar aos reflexões,
às lembranças, ao
que se foi.
Resistir é sina dos fortes!
Resistir é sina dos fortes!
Levanta-se o Sol, no
mangue, no hospital e em nossas vidas.
Tudo começa de novo
em uma vai e vem com novos atores.
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