quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Cai a noite


Cai a noite


Cai a noite no mangue ao lado do hospital...
Caranguejos acuados pelo homem recolhem-se para suas tocas,
num movimento longo entre o buraco e a maré.
Amanhã cedo vem o guará querendo comida.
Vive-se menos nos mangues urbanos
Esconder-se é sina dos vivos!

Cai a noite no hospital...
Um pouco mais tarde que no mangue, é verdade!
As luzes retardam o anoitecer.
Também os pacientes recolhem-se para seus cantinhos de cama,
num movimento curto entre o lado direito e o lado esquerdo
Morre-se menos nos hospitais particulares.
Fugir da morte é sina dos vivos!

Cai a noite em nossa vidas...
Recolhemo-nos para os cantinhos de nossas mentes
Reflete-se mais em tempos difíceis!
O pensamento e as preocupações dão lugar aos reflexões,
às lembranças, ao que se foi.
Resistir é sina dos fortes!

Levanta-se o Sol, no mangue, no hospital e em nossas vidas.
Tudo começa de novo em uma vai e vem com novos atores.

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